quinta-feira, 19 de julho de 2018

O Sermão do Monte - O primeiro Grande Discurso Didático de Jesus - Alexandre Glória

O primeiro grande discurso didático de Jesus, relatado por Mateus, tem como objectivos demonstrar toda autoridade divina de Cristo e preparar os Seus discípulos para a ética correcta do reino de Deus. Este é conhecido no Evangelho de Mateus como o sermão do monte (Mateus 5:1-7:29), e, no Evangelho de Lucas, como o sermão da planície (Lucas 6:17-49).

O termo monte no Velho Testamento está associado ao local onde Deus se revela e fala. Foi no monte de Sinai que o Senhor falou e deu a Lei a Moisés (Êxodo 19 a 24). Sendo o evangelho de Mateus escrito por um Judeu, vemos muitas referências à Jesus e ao monte. Temos entre outros: o sermão do monte (Mateus 5 a 7), o monte da transfiguração (Mateus 17:1-13), o monte das Oliveiras (Mateus 26:30) e o monte da Galileia (Mateus 28:18-20). Por isso é que o sermão do monte relaciona o ensino de Cristo com as Escrituras (a Lei e os Profetas), sendo o monte uma referência a um novo Sinai, onde Jesus reafirma a Lei que estava a ser cumprida Nele.

A ética do reino de Deus, que é o tema central do sermão do monte, deve ser motivo de bem-aventurança, por isso, Jesus ao iniciar este seu discurso ético, afirma que é possível sermos felizes se:

- Tivermos humildade (Mateus 5: 3, 5);
- Formos sensíveis (Mateus 5: 4);
- Procurarmos a justiça (Mateus 5: 6);
- Tivermos compaixão/misericórdia (Mateus 5: 7);
- Cultivarmos a pureza (Mateus 5: 8);
- Procurarmos ser pacificadores (Mateus 5:9);
- Tivermos firmeza na fé (Mateus 5: 10, 11).

Após lembrar os Seus discípulos de que é possível serem bem-aventurados (Mateus 5: 2-12), e de que eles são o sal e a luz do mundo e que, por isso, não se podem esconder (Mateus5: 3-16), Jesus afirma que veio cumprir a Lei de Deus e não a anular (Mateus 5:17). 

A preocupação de Cristo foi recentrar a ética do Reino de Deus na verdadeira Lei do Senhor e não tanto naquilo em que o povo de Israel tinha aprendido dos antigos. Com a afirmação: “Ouvistes que foi dito aos antigos… eu, porém, vos digo…” (Mateus 5,21-22; 27-28; 33-34; 38-39; 43-44), Jesus está a declarar que, muito mais importante do que ouvir o que os outros afirmam acerca da Lei de Deus é entendermos o alcance dessa mesma Lei. Por outro lado, ao dizer, “eu porém vos digo”, Jesus está afirmar, de uma forma clara, que é o autor da Lei e como tal é Deus.

Estas três afirmações de Jesus: “bem -aventurados sois”, “Eu vim cumprir a Lei e não anulá-la” e “Eu porém vos digo”, não só reafirmam a Sua divindade, como também lhe dão autoridade para o ensino que encontramos ao longo destes 3 capítulos.

No capítulo 6 ele ensina como devemos contribuir para o reino (Mateus 6:1-4), orar (Mateus 6:5-15), jejuar (Mateus 6:16-18), juntar tesouros no céu, transmitir luz (Mateus 6:19-23) e a confiar na providência do Senhor (Mateus 6:25-34).

O sermão do monte termina alertando: para termos cuidado na partilha das bênçãos que recebemos de Deus, pois elas são pérolas que não devem ser dadas a porcos (Mateus 7:6-12); convida-nos a entrar na porta estreita que Ele é (Mateus 7:13-14); para termos cuidado com os falsos profetas (Mateus 7:15-23); e para alicerçar a nossa vida na rocha (Mateus 7:24-29).

Concluímos, afirmando que o ensino ético do sermão do monte é autenticado pela autoridade de Jesus que veio ao mundo para cumprir a Lei, que Ele deu para que o homem a seguisse. 

Alexandre Glória

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Chorar pela cidade - Daniel Lopes

Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: "Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos.
Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, e a rodearão e a cercarão de todos os lados.
Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus a visitaria".
Lucas 19:41-44

Durante seis anos tive o privilégio de viver nos Estados Unidos de América. Regressei a Portugal quando tinha 21 anos, no longínquo ano de 1997. Nos 18 anos seguintes não tive oportunidade de voltar aquele país que tanto contribuiu para a minha formação. A cada ano que passava as saudades foram aumentando e para o final já eram constantes os suspiros sempre que as ruas de Nova Iorque apareciam em algum programa na televisão.

No primeiro dia que regressei, fiz questão de pedir aos que me acompanhavam, e aos que me recebiam, para me concederem a oportunidade de comer Taco Bell (uma cadeia de comida mexicana), a ver a cidade de Nova Iorque. Assim foi. Vocês não têm ideia da emoção que senti. Estar ali, agora com a minha esposa, a ver a minha cidade favorita era uma experiência e tanto. O cansaço da viagem quase que nem se fazia sentir. Eu fiquei tão emocionado e alegre ao ver a cidade. Eu chorei perante aquele lindo cenário!

Três dias depois daquela visão de Nova Iorque tive a oportunidade de finalmente entrar na cidade que não dorme. Eu tinha finalmente voltado! Nos cinco dias seguintes pude então visitar vários lugares bonitos e interessantes, sentir cheiros e relembrar sabores que quase havia esquecido. Visitei museus, andei de barco, entrei em várias lojas e percorri várias ruas a pé e de autocarro… mas, sem dúvida, o que me impactou mais foi o memorial do “Ground Zero”. 

Na primeira vez que vivi nos Estados Unidos subi às torres gémeas e tive a oportunidade de passear no terraço de uma delas. Agora, estava ali, mas naquele lugar, havia um vazio. As torres que eu tanto gostava já não estavam lá e eu, confesso e admito, chorei. 

Em Lucas, capítulo 19, versículo 41 e seguintes, vemos Jesus a aproximar-se de Jerusalém. Não sei há quanto tempo Ele não observava a cidade mas, daquela vez, Lucas faz questão de mencionar que Jesus chorou. Jesus chorou ao ver Jerusalém e por causa de Jerusalém. 

Ao contrário do meu choro, porém, o choro de Jesus, não era porque havia quase duas décadas que Ele não visitava Jerusalém. Não era por causa dos prédios que Ele via ou deixava de ver. O choro de Jesus era espiritual. Mais do que uma emoção era uma preocupação. Uma demonstração tremenda de paixão pelas pessoas.

Ao contrário de mim, Jesus não chorava por causa do passado, mas chorava por causa da cegueira presente e das consequências que esta falta de visão iria ter no futuro da cidade. Jesus chorava, acima de tudo, por causa das necessidades espirituais de Jerusalém (que muitos dizem que significa a cidade da paz). Jerusalém não reconhecia Aquele que lhe podia dar paz. A paz verdadeira que a cidade e todos necessitavam.

Ao contrário de mim, Jesus não se deixa enganar pela grandeza, beleza estética e movimento da cidade.

Que lição Jesus me dá! Porque choro eu? Por quem choro eu?

Escrevo este post a 4 de Julho e hoje sinto particularmente saudades de Nova Iorque. É dia de festa, o dia da independência… mas, olhando para Cristo e para o choro de Cristo, talvez eu devesse chorar e pensar acima de tudo no futuro daquela cidade e daquelas pessoas que não têm visão espiritual, não recebem a Cristo e por causa disso, certamente, terão consequências no futuro. Que bom seria se, em vez da independência, eles celebrassem o dia da dependência do Senhor. O meu choro por aquela terra devia ser mais espiritual e menos emocional! Preciso de aprender a chorar como Jesus chorou. Chorar pelas pessoas, como Jesus chorou. Pelo futuro, como Jesus chorou. E isto não é só em relação a Nova Iorque… é também em relação à minha Jerusalém!


Daniel Lopes

Igreja: Crescimento e Missão - Crescer Para Cima - Rui Sabino

A igreja fundada por Jesus (Mateus 16:18) tem como grande finalidade adorar a Deus (Ef.1.6). Esta é a razão primordial da igreja existir. Mas a adoração não é apenas o reconhecimento que Deus é Deus e que é digno de toda a glória. A adoração promove bênção e crescimento da igreja, quer na intimidade com Deus, na comunhão entre irmãos, quer no cumprimento da Grande Comissão. Adorar a Deus é estar comprometido com a Missão de Deus.

É fundamental definir os valores que norteiam a adoração da igreja enquanto comunidade e enquanto membros individuais que a compõem, para que o Senhor seja louvado e a sua missão seja cumprida. A adoração tem de ser forçosamente o valor mais alto da comunidade ou do cristão enquanto indivíduo.  A vida no Reino de Deus foi anunciada por Jesus como um tesouro incomparável.

A adoração comunitária de uma igreja local é, portanto, uma necessidade que devemos ter em conta para cumprir a Missão de Deus (Missio Dei) e a sua razão de existir. Enquanto comunidade, a igreja deve ter um culto cristocêntrico, focado na glória de Deus. Quando o culto comunitário está projetado em Deus, a comunidade é abençoada. Portanto, as necessidades das pessoas não podem ser o objetivo de culto. O culto deve revelar Deus, a Sua missão redentora, e desafiar as pessoas a juntarem-se a Deus, consagrando-Lhes suas vidas em santidade e serviço em todos os domínios da vida.

A comunidade que está focada na adoração compreende a importância da cruz e da ressurreição. Entende a sua identidade e propósito de ser igreja adoradora e testemunha fiel, sendo o Sal e a Luz deste mundo (Mateus 5:13-14).

A igreja adoradora deve ser desafiada a amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e entendimento (Mateus 22:37), bem como a viver em constante gratidão.

Do mesmo modo, a adoração individual é uma escolha de honrar a Deus, seguindo Jesus, no dia a dia, num “culto racional” (Romanos 12:1-2; Lucas 14:25-33) assumindo o Senhor como digno de toda a adoração.

A pregação e o estudo da Palavra é fundamental para crescimento espiritual e para o cumprimento da Missão de Deus, quer como comunidade quer enquanto indivíduos. Vemos isso na comunidade primitiva, em Atos 2. Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, tinham tudo em comum, supriam as necessidades uns dos outros e levavam a mensagem da salvação ao povo.

Pela pregação e estudo das Escrituras a igreja tem conhecimento de Deus. Tem conhecimento da história revelada da criação à nova criação. Tem conhecimento do pecado e das suas consequências, bem como do padrão de santidade pedido por Deus. Tem conhecimento da esperança que lhe está reservada. A Palavra transforma a igreja com o caráter do próprio Deus. A adoração não só é expressa nos atos litúrgicos da comunidade, mas é essencialmente vivida nos contextos onde os membros da igreja estão inseridos, no relacionamento com o próximo. A adoração e natural intimidade com Deus é reconhecida nos relacionamentos, na ética, nas palavras e escolhas da Igreja.

A adoração, o crescimento e a missão da igreja é promovida pela Palavra de Deus.

A Palavra deve ser anunciada com ousadia e amor para que o povo se sinta desafiado não só a compreendê-la, mas, sobretudo, a vivê-la.

Uma igreja que quer ser adoradora e crescer em Espírito tem que sentir o prazer e a importância da oração. A oração “provoca” o poder de Deus à ação. É da vontade do Senhor que o seu povo “ore sem cessar”.

Independentemente de cada cristão ter o seu tempo de oração, é importante existir oração comunitária e a igreja deve ter a sua “agenda de oração”.

A igreja deve envolver-se em oração comunitariamente, partilhando as dificuldades, as lutas, os fracassos, as vitórias bem como a gratidão, o louvor etc. É um testemunho poderoso quando alguém incrédulo vê uma igreja em oração e comprova o poder de Deus.

A oração une uma comunidade e aprimora os seus relacionamentos fraternos. A oração faz crescer a igreja na sua intimidade com o Senhor.

A oração ensina e motiva a igreja a viver a fé em submissão ao Senhor.  Scot McKnight disse: “a oração é uma comunicação de amor com Deus. Tudo o que precisamos na oração é de um coração aberto”.

Na oração modelo, Jesus  ensinou-nos a  chamar Deus de Pai. Enquanto os judeus tinham medo de pronunciar o Nome de Deus, aos seus discípulos Jesus ensinou-os a chamar Deus de Abba, “Paizinho”, nome que transmite intimidade e amor. Nome que demonstra uma reação de proximidade que ele procurou ensinar à sua igreja.

Na parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32), Jesus apresenta-nos Deus como um Pai amoroso, de braços abertos para o homem pecador. Um pai que deseja ter uma comunhão íntima com o seu filho baseada no seu amor ágape.

A igreja só pode crescer e cumprir a sua Missão quando entende que a adoração é mais do que atividades litúrgicas ou conceitos teológicos frios. A adoração é um relacionamento íntimo com o Senhor, com o objetivo de o glorificar e usufruir da sua presença maravilhosa.

Esse relacionamento íntimo é produto do Santo Espírito de Deus na igreja, que a ajuda a crescer espiritualmente à semelhança de Jesus e a capacita para a missão de levar as Boas Novas do Evangelho até aos confins do Mundo.

Queremos ser uma igreja que cresce em intimidade e compromisso com Deus, que vive a fé em Jesus Cristo em todos os domínios da vida, na dependência do Espírito Santo.


Rui Sabino

O lugar dos mais novos no ministério de Jesus: plano ministerial e missiológico - Teotónio Cavaco

No plano ministerial, o Mestre Jesus surpreendeu os seus discípulos ao chamar um menino para o meio deles e desta forma responder à grande pergunta teológica – “Quem é o maior no reino dos céus?”, assegurando a necessidade redentora de todos nos convertermos e tornamo-nos como crianças para desta forma ser possível entrarmos no reino dos céus.

As lições tiradas do episódio narrado por Mateus no capítulo 18 são muitas e profundas para nos determos aqui. Jesus era Pastor do Rebanho todo e no plano ministerial não deixou ninguém de fora, nem mesmo os mais novos. O cuidado e o carinho que mostrou por eles, a sua envolvência e intencionalidade, ora recebendo-os nos seus braços, ora abençoando-os, deixou marcas na visão que os seus discípulos haveriam de mostrar no desempenho dos seus próprios ministérios, razão porque podemos verificar a presença de crianças em alguns episódios narrados por Lucas em Actos, capítulos 12, 20 e outras partes da história dos primórdios da igreja.

O exemplo que manifestou no cuidado pastoral dos mais novos acabou por ser entendido por parte dos seus discípulos. Em duas alturas diferentes Ele afirmou – “...sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus 25.40) e “quem receber uma criança, tal como esta, a Mim me recebe” (Mateus 18.5). Esta identificação com os mais novos no Rebanho, à semelhança de Jesus, talvez deva ser uma meta mais conseguida por parte dos pastores e líderes, no cuidado parecido com aquele que existiu no Mestre.

No plano missiológico, há 3 passagens bíblicas de referência que são esquecidas, em grande parte, quando falamos da tarefa cuidada da evangelização do mundo, e que inclui a urgência de fazê-la com a inclusão dos mais novos:

- Mateus 28.19-20 – Jesus inclui todos na tarefa que deixou aos apóstolos e discípulos; a ordem é para ir, fazer discípulos, batizá-los e ensiná-los em todo o lugar e a toda a gente. Um plano de alcance cuidado deverá incluir também estratégias sérias ligadas ao alcance dos mais novos;

- Marcos 16.15 – As palavras “todo o mundo” e “toda a criatura” coloca todos dentro da missão, sem qualquer exclusão, o que significa que a missão deve estar permeada por todos os beneficiários dessa mesma missão. E isso significa todos, incluindo os mais novos;

- João 20.15 – Eu sou dos que acredito que na conversa que Jesus tem com Pedro Ele está a renovar o sentido de missão que tinha dado conjuntamente na passagem de Mateus 18.1-14. E agora o faz na pessoa de Pedro, numa clara chamada de atenção em relação aos “cordeiros”, que outra coisa não são que os mais novos no Rebanho. Creio, até, que é por essa razão que vamos encontrar nos registos de Actos uma comunidade cristã onde os mais novos não faltam, como intervenientes diretos em episódios que Lucas registou.

Sem dúvida alguma, a visão do Mestre comunicada no episódio de Mateus 18 foi apreendida e agora renovada na visão dada a Pedro a respeito dos mais novos, pois se os preconceitos em relação aos gentios eram evidentes, como no caso de Actos 10, imaginem em relação aos mais novos.

Há uma estratégia do Mestre em reforçar a necessidade dos seus discípulos olharem para o Rebanho como um todo, pois esta era já evidência do Deus de Israel, quando nos tempos de Moisés, para a observância da Lei era necessário – “Ajuntai o povo: os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei” (Deuteronómio 31.11-13).

Não será necessário que os líderes cristãos reconsiderem as palavras afirmativas de Jesus – “apascenta os meus cordeiros”? Eu creio que as comunidades cristãs só têm a ganhar se os pastores se preocuparem em ministrar ao Rebanho como um todo. Doutra forma, deixaria de fazer sentido a referência de Jesus dada a Pedro no seu último encontro pessoal na praia do mar de Tiberíades.


Teotónio Cavaco

O Reino de Deus nas Parábolas de Jesus - Alberto Carneiro

Neste segundo texto irei abordar a parábola das dez virgens que nos é narrado em Mateus (25:1-13). Jesus está a dar os seus últimos ensinos e transmite aos discípulos o sermão profético, com tudo o que isso significou para a altura e também para os dias de hoje.

Uma das preocupações de Jesus foi ensinar a todos os seus seguidores, de todas as eras, que a Sua segunda vinda seria uma realidade. Não há que ter dúvidas. Numa primeira fase, a Igreja primitiva pensou que Jesus viria ainda durante os seus dias, ou seja, durante os primeiros anos do primeiro século. Daí encontrarmos textos como o de Actos (4:32-37) e as suas consequências para a propagação do Evangelho. Nada tendo, as pessoas ficaram livres para irem por todo o império, nada os retendo em termos materiais, porque Jesus em breve viria. Perspectiva sobremodo interessante, reveladora de fé e de desconhecimento, em paralelo. Não havia sido essa a mensagem que Jesus tinha deixado, mas foi assim que ela foi entendida.

Com esta parábola, Jesus deu-nos uma mensagem fortíssima de aviso e precaução. Em primeiro lugar a sua segunda vinda será uma realidade. Pode acontecer a qualquer momento. Os seus precisam de estar preparados em todas as circunstâncias. Em segundo lugar esse acontecimento irá apanhar muita gente desprevenida, incluindo muitos que ouviram o Evangelho. Tal como as virgens prevenidas, as virgens loucas sabiam que o seu senhor viria; mas isso não foi suficiente para se precaverem com o azeite necessário até à sua efectiva chegada. O facilitismo, no que ao evangelho diz respeito, paga-se caro. Quantos ouvem o Evangelho, até o compreendem, mas continuam vivendo as suas “vidinhas” por variadíssimas razões, e isso pode ser determinante para serem apanhados de surpresa. Impreparados. Não dignos. Vivendo vidas das quais já não se poderão arrepender. Perderam a oportunidade de aceitar a salvação.

Atendendo aos sinais que vamos vendo, alguns defendem que o mundo caminha a passos largos para que as profecias feitas nos evangelhos sobre a segunda vinda se cumpram a muito curto prazo. Outros, pelo contrário, acham que, embora caminhemos para o fim do tempo nesta terra, ainda faltam muitos acontecimentos até que isso venha a acontecer. E facilitam. E acham que também podem viver um pouco mais a sua vida. Nada mais perigoso, porque a vida de santidade e dependência de Deus é colocada de lado e isso traz consequências graves para si e para os seus, principalmente se existem crianças, adolescentes, jovens que veem o comportamento dos seus pais e podem perder o foco.

Se falta muito ou pouco para Jesus voltar, isso não sei. O que eu sei é que todos os cristãos têm que estar sempre preparados. Sei que esse dia acontecerá sem aviso prévio. Jesus prometeu que viria, e virá. Que haja sabedoria para que, quer demore muito, quer demore pouco, todos sejamos achados precavidos da vinda do Senhor. Ele virá buscar os seus para viverem eternamente com Ele. Essa será a realidade suprema que iremos gozar.

Alberto Carneiro