domingo, 22 de julho de 2018

Os encontros de Jesus com as mulheres no Evangelho de Marcos - Inês Gandaio

Todos sentimos as exigências de uma sociedade que procura a cada momento que estejamos ligados, em atividade constante, impondo um ritmo de vida cada vez mais esgotante. Olhando para o ministério de Jesus, poderíamos dizer que não é assim tão diferente deste ritmo frenético. Ensinando as multidões, os discípulos, fariseus e escribas; curando os doentes, impondo as mãos, tocando as suas vestes; discutindo acerca da interpretação correta da lei; operando milagres, a multiplicação dos pães e peixes; enviando os discípulos em missão, sendo alvo da incredulidade dos seus conterrâneos e dos próprios discípulos… Azáfama!! Estafa!! Roda-viva!!

Em Marcos 7:24 vemos que o Senhor buscou refúgio, recolhimento, buscou descanso em terras de Tiro e Sidom. Tiro e Sidom faziam parte da região da Siro-Fenícia, um território à margem do Mediterrâneo que permaneceu quase sempre independente do governo judaico, grego ou assírio. Terras gentílicas… Jesus foi fortalecer-se longe do assédio dos seus compatriotas, das suas necessidades, longe da fama que possuía. Buscou o anonimato, mas sem sucesso. 

A continuação do texto (Mc 7:25-30) relata-nos mais um dos seus encontros. A mulher descrita pelas Escrituras era grega, de origem siro-fenícia e tinha uma filha endemoninhada. Ela sendo conhecedora da fama de Jesus e amando a sua filha, procura o Mestre depositando n’Ele uma nova esperança para o seu problema. O amor leva-a a importunar Jesus. Diante d’Ele a mulher presta a sua reverência e roga pela cura. Jesus responde ao seu pedido com o versículo 27. A palavra que Jesus usa para descrever os gentios tem sido alvo de algumas traduções, tais como: “cachorrinhos”, “filhotes” ou ainda por “animais de estimação”. A ilustração de Jesus é clara. Ele faz uma referência à prioridade temporal no seu ministério aos judeus, que são considerados filhos por causa da aliança que Deus fez com Abraão. É interessante ver o texto paralelo em Mt 15:21-28. O verso 24 refere esta mesma ideia, que a missão de Jesus era pregar as boas novas “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. O que quer isto dizer? Que Jesus terá tido uma atitude xenófoba para com esta mulher gentia? Como estrangeira ela não desfrutava de todos os direitos civis e religiosos de um israelita. A lei de Moisés defendia os direitos dos estrangeiros entre o povo de Israel. Todo israelita tinha o dever de os tratar com a devida hospitalidade, defendê-los, ajudá-los e até mesmo amá-los, já que Israel também havia sido estrangeiro no Egipto (Dt 10:18; 24:14,19). Jesus não trata a mulher de acordo com a presunçosa superioridade da maioria dos judeus. Ele está a fazer lembrar à mulher que existe prioridade na bênção aos judeus, mas que existe um lugar para os gentios também no reino.

A resposta da mulher a Jesus é de uma inteligência, poder de argumentação e fé impressionantes. O amor que ela tinha pela sua filha, o reconhecimento de que a sua condição diante de um mestre judeu era de desvantagem e o entendimento da sua posição diante de Jesus (trata-O por Senhor), exemplificadas nas suas palavras, levam Jesus a reconhecer o tamanho da fé desta mulher. Ela obteve a atenção do Mestre. E não só a obteve como foi alvo de tamanha misericórdia ao ver a sua filha liberta do espírito imundo que a dominava. O poder de Jesus é manifesto na cura da menina apesar da distância, a fé desta mulher a moveu e moveu Jesus.

Jesus tinha dado de comer às multidões, tinha alimentado com o seu ensino, tinha instruído na fé os seus discípulos, tinha-se doado em prol do seu povo. Mas é no encontro com a fé de uma gentia que pouco ou nada conhecia da lei, das promessas de Deus, que Ele encontra fé. Esta mulher não tinha a arrogância de esperar pão, ela desejava unicamente as migalhas da misericórdia de Jesus. Que tamanho têm as misericórdias de Jesus que mesmo à distância operam milagres! Que santa perturbação de descanso! Que bálsamo para Jesus terá sido este encontro. Um ministério que estava a precisar de uma pausa, no ritmo alucinante e desgastante das necessidades do Seu povo é interrompido pelo aroma agradável de alguém que entende que as sobras das bênçãos de Deus dão para fartar a sua vida.


Inês Gandaio

O conceito de justo no tempo de Jesus - Ezequiel Julião

O uso das palavras, ao longo dos tempos sempre esteve sujeito aos desenvolvimentos que as palavras vão tendo. Por exemplo, há muitos anos atrás, a palavra “adorar” tinha essencialmente um cunho religioso. Hoje, ela faz parte do vocabulário para expressar o gosto por um determinado prato, amigos e muito mais. O mesmo tem acontecido com outros conceitos ao longo dos tempos, ganhando novos significados e interpretações.

Quem era considerado justo
O conceito de justo ou de uma pessoa justa dentro do contexto judaico procede de Deus, que é apresentado como justo tanto ao punir como ao salvar o homem. Podemos ver isso bem revelado nos grandes feitos de libertação e cativeiro apresentado na narrativa bíblica.

Para que o homem entendesse claramente esse conceito, Deus deu a lei, por meio de Moisés, com o fim de ser a base para o relacionamento entre o Senhor e o seu povo e também entre os homens. Passou-se então a considerar justo o povo israelita por ter sido escolhido por Deus para relacionar-se com Ele, ainda que por muitos momentos não andassem de acordo com os mandamentos divinos. Um exemplo disso é a intercessão do profeta Habacuque em favor do povo de Deus (Hb 1:13b), onde lemos: “por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justado que ele?”. Nessa situação em particular, o povo estava a viver longe dos preceitos de Deus como vê-se desde o início do livro. Mas ainda assim, como vemos no versículo que acabamos de citar, consideravam-se justos. No relacionamento entre as pessoas, aqueles que olhavam para o interesse daqueles que mais precisavam, eram tidos como justos. Por isso a prática de dar esmolas e não só, era uma demonstração de que a pessoa cumpre os mandamentos de Deus e através das suas ações, passava a ser considerado uma pessoa justa.

Nosso contexto e nosso entendimento do justo.
Se aquele era o entendimento da sociedade, Jesus se mostra distanciado dessa forma de pensar. Para ele, o ser considerado justo não estava baseado nos pressupostos que o próprio homem poderia apresentar, mas na confiança que as pessoas depositavam no Deus soberano. Ou seja, para Jesus nós somos considerados justos não porque somos fiéis a Deus, mas porque depositamos nossa fé no JUSTO Senhor.

É esse entendimento que serve de base para os seus relacionamentos e para a realidade cristã que vivemos hoje. Em Cristo somos considerados justos porque Ele cumpriu a lei, tornando-nos aceitáveis pelo pai.

A Relação
Assim ao relacionarmos os dois entendimentos sobre quem é reconhecido como justo, fica claro que os são completamente diferentes. Quando para a sociedade do tempo de Jesus o justo era considerado alguém que cumpria a Lei e  demonstrava um cuidado pelos necessitados na sua atuação. Esse entendimento, não está alinhado com a perspectiva divina.

Depois de Cristo, verifica-se uma mudança onde o cumprimento da lei e a prática da caridade não são os barómetros de identificação de alguém considerado justo. No entanto, a atitude de reconhecer que somos fracos, incapazes por nós mesmos de fazer o que é agradável e que satisfaça a ira de Deus, leva-nos a reconhecer a obra realizada por Deus em nosso favor por meio do Senhor Jesus, o Justo, que morreu para que pudéssemos comparecer perante o pai justificados.

Louvado seja Deus que nos justificou.


Ezequiel Julião

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Eu quero diminuir - Jónatas Lopes

Mateus 6:9

“Portanto”:
Esta palavra é uma conjunção conclusiva. Mostra a consequência de acreditarmos que Deus tem o melhor para os Seus filhos.

“Vós orareis assim”:
Jesus dá como adquirido que os Seus discípulos oram até porque Ele também não teve ousadia de viver a sua vida sem oração. Se não oramos, estamos a achar que temos mais coragem do que Jesus. 

Devemos saber, também, que nós não oramos apenas quando a nossa vida estiver em condições. Nós oramos para que Deus nos coloque em condições.

Este é um enorme desafio, pois se passarmos mais tempo a falar com Deus, saberemos abençoar melhor as pessoas que estão ao nosso lado.

 “Pai nosso”:
2 aspectos importantes nestas 2 palavras:

1.Filiação - Deus é o nosso Pai.
É uma enorme bênção chamarmos “Pai” ao nosso Deus e sermos tratados como Seus filhos.

No AT, a paternidade de Deus parece que não é encarada da mesma forma como no NT. Os judeus exaltavam os atributos de Deus como a Sua soberania, a Sua glória, a Sua graça e por aí em diante. Não tão pessoal salvo raras excepções. 

Jesus, ao falar para os judeus, trouxe-lhes uma nova ênfase sobre a paternidade de Deus ao dizer “Pai nosso” mostrando que Ele está perto de nós.

Acima de tudo, devemos valorizar a paternidade de Deus porque todos nascemos como inimigos de Deus devido ao nosso pecado. Nós não somos, por natureza, filhos de Deus. Nós somos, sim, filhos da ira de Deus (Efésios 2:3).

Contudo, mesmo sendo Seus inimigos, Deus mostrou todo o Seu amor ao enviar o Seu único filho para pagar o preço do nosso resgate para recebermos de volta já não como Seus inimigos, mas sim como seus filhos.

Deus abandonou o Seu filho na Cruz para ser nosso Pai, para que nunca nos abandonasse.

2. “Nosso”
Jesus ao assumir que todos os discípulos deviam orar, ao mesmo tempo, assume também que deviam orar em comunidade.

A oração comunitária é fundamental para a vitalidade da Igreja pois mostra-nos claramente que a Igreja não é nossa.

“Que estás nos céus”:
Antes, vimos a proximidade de Deus com o Seu povo e aqui parece que vemos a Sua distância: Deus está nos céus e nós na terra.

Vemos então a imanência de Deus (a sua manifestação na criação) e a Sua transcendência (está nos céus, acima de tudo e é independente do mundo).

A oração do “Pai nosso” começa com a exaltação de Deus.

Será que as nossas orações começam com uma invocação “Senhor Deus e nosso Pai” e logo a seguir começamos a agradecer as bênçãos de Deus?

Pode parecer normal, contudo, normalmente, não há um momento de exaltação pela Sua grandeza.

Qual a importância da exaltação na oração tal como vemos neste versículo?
1.Quando reconhecemos a grandeza de Deus, logo no início da oração, colocamo-nos no devido sítio, como também percebemos que as bênçãos que recebemos não são devido aos nossos méritos, mas sim à enorme bondade de Deus para connosco.

2.Quando reconhecemos a grandeza de Deus, entendemos que temos que confessar os nossos pecados porque Deus é santo e todo o nosso pecado é uma ofensa contra Ele.

3.Quando reconhecemos a grandeza de Deus ao pedirmos alguma coisa, já não vamos com o sentido de exigência. Vamos, sim, com uma atitude de gratidão porque reconhecemos que Deus é bom pois sabe dar ou retirar o que é melhor para a vida dos Seus filhos. Além disso, podemos agradecer a Deus porque em Cristo já recebemos sempre mais do que merecemos.

“Santificado seja o teu nome”:
Em Isaías 6 vemos que “Deus é Santo, Santo, Santo”: grau máximo de santidade. Não podemos fazer nada para aumentar ou diminuir a santidade de Deus porque o Seu ser é santo.

Algo contrário ao nosso ser porque vivemos, até ao fim da nossa vida, num processo de santificação sabendo que este processo só terminará quando estivermos juntos a Deus. 

A melhor tradução, para mim, deste versículo seria: “que o teu nome seja tratado como santo”.

Na oração do “Pai nosso” esta é a primeira petição que devemos fazer e é uma petição muito forte: um pedido para que o nosso viver glorifique o nome santo de Deus.

Fica o desafio: Que ao olharem para a forma como vivemos a nossa vida possam perguntar a razão pela qual somos diferentes. Que Deus seja sempre glorificado pois o importante é que “Ele cresça e eu diminua”.

Jónatas Lopes

O serviço como uma prática de liderança - Miguel Jerónimo

“Os 8 passos da Liderança”, “Desperte o Líder que há em Você”, “Pós-graduação em Liderança e Executive Coaching”... não é difícil encontrar nos nossos dias livros e seminários sobre o tema de liderança, e nunca como hoje surgiram tantos gurus nessa área tão antiga quanto relevante como é a da liderança. Embora estes recursos possam ser úteis e tenham mais-valias para a nossa aprendizagem, há uma faceta que poucas vezes vem refletida nestas abordagens, e essa faceta é a do serviço como uma prática de liderança.

Jesus foi quem melhor personificou esta ideia do “líder-servo”, aquele que ao invés de impor a sua autoridade de forma coerciva ou impositiva, o fez de dentro para fora, desenvolvendo um caráter e um exemplo que por si só atraem outros a Si.[1] Desde muito cedo que Jesus assumiu que tinha vindo “não para ser servido mas para servir” (Mateus 20:28) e em nada isso diminuiu a Sua capacidade de liderança, muito pelo contrário, foi isso que marcou o Seu estilo de liderança e atraiu tantos a Ele, pois reconheciam uma autoridade diferente, uma autoridade que era usada em favor do próximo e não em benefício próprio.

Gene Wilkes define um líder servo como aquele que “é servo da missão e lidera servindo os que estão em missão com ele”[2] e esta descrição encaixa como uma luva na forma como Jesus desempenhava a Sua missão.

Em diversas ocasiões Ele afirmou que não cumpria a Sua vontade mas a do Seu Pai, que não falava por Si mesmo mas em nome do Pai, e até no seu momento mais difícil no Getsémani, Ele manifestou a Sua total disposição para que se cumprisse a vontade do Pai e não a Dele. Jesus era um servo da Sua missão.

Mas Ele não estava nesta missão sozinho, Jesus chamou homens e mulheres para servirem ao Pai junto com Ele, liderou-os de forma firme, mas fê-lo sempre através de demonstrações de serviço: curando, ministrando, estando perto e no final dando a Sua vida por eles. Jesus, sendo o Mestre e Senhor, serviu os que estavam com Ele durante toda a Sua vida.

“Ora, se eu sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (João 13:14). Este episódio da lavagem dos pés é provavelmente o mais emblemático desta atitude de Jesus, pois Ele fê-lo com o intuito de dar aos Seus discípulos uma lição acerca deste estilo de liderança servil que eles tinham visto no Seu ministério ao longo de 3 anos mas que naquele ato se tornou um modelo para cada um deles. A ideia era simples, mas revolucionária: o líder é aquele que serve!

Miguel Jerónimo



[1] YANCEY, Philip. O Jesus que eu nunca conheci. São Paulo: Editora Vida, 1998.
[2] WILKES, C. Gene. O último degrau da liderança. São Paulo: Mundo Cristão, 2000, p.30.

A Importância da mesa no ministério de Jesus - Inclusão e Aceitação - António Bento

Dois homens entraram em cena, pousando sob o radar de Jesus. Um deles, entretido no seu trabalho, parecia nem saber que Jesus por ali andava. O outro, deixando tudo para trás, ansiosamente procurava ver Jesus. A ambos o Mestre chamou. O primeiro, de nome Levi, antes distraído, levantou-se de imediato da sua cadeira, no posto de cobrança, e sem hesitar seguiu Jesus (Lc 5.27-39). O Segundo, de nome Zaqueu, antes atentamente escondido, desceu de uma figueira, em modo de corrida, para se encontrar com o Senhor (Lc 19.1-10).

Mas o que unia estes dois homens, aparentemente tão distintos e distantes? Ambos eram publicanos, cobradores de impostos, judeus que em nome dos opressores romanos coletavam os impostos locais ao seu próprio povo. Ambos eram usados pelos inimigos, odiados pelos seus e desprezados por todos. Eram autênticos párias daquela sociedade. Um Judeu sério jamais se uniria ou comeria com estes dois homens, pois não poderia ter qualquer parte com publicanos e pecadores.

Mas, espanto dos espantos, com ambos Jesus se sentou à mesa! Pelo primeiro, foi convidado. Com o segundo, fez-se de convidado. O primeiro fez questão de lhe preparar um banquete, para o qual chamou uma multidão de amigos publicanos e outros pecadores. O segundo, com pressa e simplicidade, atendeu o seu pedido e recebeu-o em sua casa, na intimidade da sua família. Em ambas as mesas, aquele que era convidado, assumiu o papel de anfitrião.

Por causa de ambos, foi criticado por escribas, fariseus e judeus em geral. O problema não era a festa, nem a mesa, mas os convidados, dois publicanos e todo um conjunto de familiares e amigos, todos pecadores, que com eles privavam e que, deste modo, pulavam inesperadamente para a mesa e esfera de Jesus. “Mas isso é uma afronta” - murmuravam em coro os guardiões da Lei – “os gentios e pecadores não fazem parte da lista de convidados de Deus para o grande banquete escatológico. Como pode Ele, então, ter o desplante de com eles comer?”. A resposta de Jesus não poderia ser mais incisiva: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores ao arrependimento” (Lc. 5.32), “porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10).

O alvoroço se gerou à mesa, perante tal declaração de propósito e missão, que ninguém entendia. Então, Deus está disposto a salvar qualquer um que reconhece a obra expiatória do Seu Filho e nela crê, confessando-se culpado, “descendo da sua árvore”? Os Judeus não queriam acreditar e, decerto, não o podiam aceitar. Para eles a mesa era um muro de separação, mas para Jesus era sinónimo de comunhão, inclusão e aceitação. Então passaram ao ataque, censurando-o porque os seus discípulos não jejuavam, mas eram sim profanos comilões e beberrões. Jesus retorque apenas com uma conversa “estranha” acerca de pedaços de roupas novas em roupas velhas e de vinho novo em odres velhos. Provavelmente, eles não compreenderam, mas o que Jesus deixa claro é que ele veio trazer uma novidade de alegria aos homens, que não se coaduna com a mentalidade envelhecida dos zelosos legalistas que estavam à sua mesa. Não, as regras formais da velha religião deveriam abrir caminho à alegria da nova, pois é impossível alojar a lei e a graça sem prejudicar a graça e sem estragar a lei. É também impossível “remendar” a lei sem “anular” a graça.

À mesa com Jesus, devemos aprender que por Ele tudo se fez novo, que agora impera a graça, pelo que somos convocados a compartilhar o amor de Deus com os outros. As palavras de ordem são inclusão e aceitação! Todos são bem-vindos, seja qual for a sua condição. Por isso, tal como Jesus comeu em casa de Levi e de Zaqueu, também nós devemos estar preparados para comer com pecadores, como uma prática missional habitual. Se evitamos a contaminação dos pecadores, somos como os fariseus. Ao invés, se ganhamos o rótulo de amigos de pecadores, por contraste, somos como o nosso Salvador. Se formos inclusivos à mesa, Jesus se fará presente e nela os pecadores contemplarão uma imagem de uma nova sociedade, onde há perdão e esperança numa vida eterna com Deus.

António Bento